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Rádio Universitária FM 107,9 - A sintonia da terra - CCBNB traz show com música sertaneja de raíz


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CCBNB traz show com música sertaneja de raíz

A cantora goiana Maria Eugênia se apresenta pela primeira vez em Fortaleza hoje, na II Mostra BNB da Canção Brasileira Independente, numa noite que será aberta pelo talento cearense de David Duarte.
 
Com mais de 20 anos de estrada e a linguagem da MPB tradicional, Eugênia mantém sua brasilidade arraigada, de sertaneja de verdade, mesmo sem empunhar viola ou fazer folguedo.
 
O marido, produtor musical e violonista Luiz Chaffin, que a acompanha desde 1994, é quem primeiro tenta desvendar esse singelo enigma. “A idéia é mostrar a coisa mais pessoal para ela e mais universal possível. Tem que ser verdadeiro. Ela canta o que gosta, o que ela quer dizer”, sugere. “Você tem noção do que ela é como artista. Maria Eugênia é uma cantora do Centro do país. Mas Goiânia é um lugar que tem de tudo, influência de todos os lugares. Tem samba, jazz. Só que ela tenta ter a linguagem goiana, com percussões, viola, ritmos... Mas a preocupação não é fazer música goiana, isso já está dentro dela, de nós, naturalmente”.
 
Um exemplo desta integração sem fronteiras com a MPB chegou já no disco “Pindorama”, o terceiro de Maria Eugênia, de 1996. A faixa-título é de Altay Veloso e Paulo César Feital, compositores do Rio de Janeiro, onde ela e o violonista niteroiense viveram entre 1992 e 1998. E olha que a formação em piano clássico também a tornou uma soprano formada pela professora Honorina Barra, o que lhe possibilita uma transição técnica excelente entre os tons graves e agudos.
 
A vinda para Fortaleza é fruto de seu envolvimento com a carreira, sempre em busca de projetos, editais. Assim, ela também acabou iniciando uma trajetória internacional que a trouxe, há poucos dias, de Portugal e Zaragoza, na Espanha. Ela vem com Chaffin, o também violonista Pedro Braga (que constituem o duo de violões Com a Corda Toda) e ainda o percussionista Edilson Morais. Juntos eles formam, desde o início do ano, o Quarteto Corda e Canto. “O palco é a casa dela. É o que ela mais gosta de fazer”, garante o produtor.
 
Universalidade pelo regional
 
Com a palavra, então, a própria intérprete. “Em 86, eu era pianista, tocava música erudita. Tive toda uma educação teórica. Quando comecei a pesquisar, me deslumbrei com a liberdade de reinventar a composição popular. Fui professora de piano, mas quando terminei o curso já estava envolvida com festivais, noite... Desde 92, larguei o piano porque eu queria cantar”, conta, por telefone, já em Fortaleza.
 
E continua: “Em 86, havia cantoras mas não cantando Goiás. Foi um privilégio gravar compositores que ainda não foram descobertos, até hoje. Tento provar que existem outros caminhos. O Nordeste sabe muito bem disso, faz o seu próprio mercado. Dá pra sobreviver. Não preciso estar na novela das oito para fazer um trabalho necessário pra minha terra. Com ‘Pindorama’ passei a ir para o exterior”, diz a intérprete que, por isso, recebeu a Ordem do Rio Branco, do Itamaraty.
 
Ela confirma a tese da “universalidade pelo regional”. Diz que o Centro-Oeste é influenciado pelo Sul, Norte, Nordeste, interior do Sudeste. É o caso de compositores que constam de seu primeiro DVD, gravado ao vivo no Teatro Goiânia, em 2005. Gente como Juraildes da Cruz (desde 88, tocantinense) e ainda João Caetano, Nasr Cahaul e Gustavo Veiga.
 
O amadurecimento da identidade de Maria Eugênia a faz assumir seu lado sertanejo, sem qualquer problema. “O sertanejo é arraigado em mim. Nunca vou ser carioca, nordestina, tenho que ser o que sou. Sempre procurei a minha própria identidade. Venho de um lugar lindo, inexplorado, com sua cultura popular, folguedos... Freqüentei estas coisas, não é algo que eu procure”, diz. Cultura popular representada mais diretamente, no DVD, pelo Projeto de Arte Educação da a Fundação Jaime Câmara, na “Folia da Estrela-Guia” (Fernando Perillo e Nasr Chaul). Ela convive naturalmente com “Notícias do Brasil” (Milton e Fernando Brant), Acontece” (Cartola), “O Samba me Diz” (Fred Martins) e “Geni e o Zepelim” (Chico Buarque), prováveis no repertório que traz notícias de uma cantora brasileira, com certeza.
 
Mais informações:
Show da cantora Maria Eugênia e Quarteto Corda e Canto. Hoje, 19h30, na II Mostra BNB da Canção Brasileira Independente (Centro Cultural Banco do Nordeste - Rua Floriano Peixoto, 941, Centro). Grátis.

publicado em 15/10/2008

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